Ética, política e Poética – “Ciências Práticas” em Aristóteles



Como estamos vendo, Aristóteles versa em todas as áreas do conhecimento, mas diferentemente da ciência teórica que é demonstrativa, e que para se “conhecer o mundo” precisa-se demonstrar as causas; no caso da ética não ocorre isso e sim uma deliberação, e saber deliberar é o “saber” no campo da ação. Assim, para Aristóteles, o homem prudente e virtuoso é aquele que delibera bem.

Quanto a ética e a política

A ética e a política estão no campo da deliberação e deliberar bem é saber decidir, a virtude representa o “meio termo”, a justa medida de equilíbrio entre o excesso e a falta de um atributo qualquer. Mas, veremos que Aristóteles distingue a ética da política.

O que são deliberações?

“Deliberações são atividades racionais de descoberta da verdade no campo prático, tendo a estrutura típica de um ato de dar razões e justificar crenças, mas não se reduzem a demonstrações”. Como nos lembra Zingano (2005, p.104)

Aristóteles escreveu muito sobre política, no diálogo perdido Da justiça já se anunciavam alguns dos temas expostos nos oito fragmentos reunidos por Andronico sob o título de Política. Ele escreveu ao longo de toda a sua vida, mas também nesse tema, como em outros diversos, é pouco o que resta sobre o assunto.

Aristóteles foi o primeiro filósofo a distinguir a ética da política, centrada a ética na ação voluntária e moral do indivíduo enquanto tal, e a política, nas vinculações deste com a comunidade. Dotado de lógos, (“palavra”, “discurso”) isto é, de comunicação, o homem é um animal político, inclinado a fazer parte de uma pólis, a "cidade" enquanto sociedade política. A cidade precede assim a família, e até o indivíduo, porque responde a um impulso natural. Dos círculos em que o homem se move, estão a família, a “tribo”, o trabalho e a pólis, mas só este último constitui uma sociedade perfeita. Daí serem políticas, de certo modo, todas as relações humanas. A pólis é o fim (télos) e a causa final da associação humana. Uma forma especial de amizade, a concórdia, constitui seu alicerce.

Os regimes políticos caracterizam-se pela solução que oferecem às relações entre a parte e o todo na comunidade. Há três formas de regimes: monarquia, aristocracia e politéia (um compromisso entre a democracia e a oligarquia, mas que tende à primeira). À monarquia interessa basicamente a unidade da pólis; à aristocracia, seu aprimoramento; à democracia, a liberdade. O regime perfeito integrará as vantagens dessas três formas, rejeitando as deformações de cada uma: tirania, oligarquia e demagogia. A relação unidade-pluralidade aparece, ainda, sob outro aspecto: o da lei e da concórdia como processos complementares.

Aristóteles diz que o homem não é apenas um “animal racional” mas também um “animal político”. Porém essa atribuição se dá aos homens que têm seus direitos políticos e os usam em parte maior ou menor para a administração da cidade ou seja os homens-cidadãos.

Em Ética a Nicômaco Aristóteles diz:

(...) aquilo que é próprio de cada criatura lhe é naturalmente melhor e mais agradável; para o homem, a vida conforme o intelecto (a razão) é melhor e mais agradável, já que o intelecto, mais que qualquer outra parte do homem, é o homem. Esta vida, portanto, é também a mais feliz. (1985, p.203)

Assim, para Aristóteles a verdadeira felicidade do homem só se alcança quando este vive plenamente sua racionalidade e vivê-la significa, viver a nossa “alma racional” e os valores da alma são os valores supremos para Aristóteles.


Poética em Aristóteles

Diferentemente de Platão, que dizia ser a arte apenas uma cópia da cópia por ela copiar algo que já era uma cópia do Mundo das Ideas. Aristóteles não condena a Arte apesar de também reconhecê-la como mimese (imitação da “realidade”), Aristóteles até atribui valor à Arte enquanto “purificador” (conceito de “catarse”), ela liberta das paixões.

Portanto entre as ciências do fazer, ou ciências práticas, apenas a obra de arte mereceu estudo sistemático de Aristóteles. Assim, ele distingue as artes úteis das artes de imitação, sendo que estas últimas, ao contrário do que o nome parece indicar, exprimem o dinamismo criador do homem completando a obra da natureza: ele tem de captar através da ideia o que na natureza se encontra, por assim dizer, apenas esboçado ou latente.

Na Poética, Aristóteles confere grande relevo a sua teoria da tragédia, que exerceu notável influência sobre o teatro desde a época do Renascimento. Segundo sua própria concepção de poesia, salientou a importância da imitação ou Mimese, não como mero decalque da realidade, mas como uma recriação da vida: a tragédia imita "não os homens, mas uma ação e a vida". Também a ação, para Aristóteles, é fundamental: os caracteres devem surgir como sua decorrência, recomendando o filósofo o recurso à ação histórica, tomada de empréstimo para a obra de arte. Preocupado ainda com o efeito da tragédia sobre o espectador, enuncia seu conceito de “Catarse” (cathársis, purificação das paixões), objetivo que, para Aristóteles, é indispensável.

Abraços do Benito Pepe


Próximo tópico: Física e ciências naturais em Aristóteles


Referências bibliográficas deste tópico

Aristóteles. Ética a Nicómaco. Brasília. UnB, 1985.

ZINGANO, Marco. Platão & Aristóteles: o fascínio da filosofia. 2. ed. São Paulo: Odysseus editora, 2005.


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Relações Interpessoais e Qualidade de Vida no Trabalho



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Falamos agora das Relações interpessoais e da qualidade de vida no trabalho, dos fatores intrapessoais, da responsabilidade pela qualidade de vida no trabalho, do arranjo físico e dos 5 S.


2.3. Relações Interpessoais e Qualidade de Vida no Trabalho

Como se viu as pessoas são produtos do meio em que vivem, tem emoções, sentimentos e agem de acordo com o conjunto que as cercam sejam o espaço físico ou social. Como diz Bom Sucesso (1997)

A valorização do ser humano, a preocupação com sentimentos e emoções, e com a qualidade de vida são fatores que fazem a diferença. O trabalho é a forma como o homem, por um lado, interage e transforma o meio ambiente, assegurando a sobrevivência, e, por outro, estabelece relações interpessoais, que teoricamente serviriam para reforçar a sua identidade e o senso de contribuição. (p.36).

2.4. Fatores Intrapessoais e a Qualidade de vida no Trabalho

Cada pessoa tem uma história de vida, uma maneira de pensar a vida e assim também o trabalho é visto de sua forma especial. Há pessoas mais dispostas a ouvir, outras nem tanto, há pessoas que se interessam em aprender constantemente, outras não, enfim as pessoas tem objetivos diferenciados e nesta situação muitas vezes priorizam o que melhor lhes convém e às vezes estará em conflito com a própria empresa.

Como observado por Bom Sucesso (1997)

O auto conhecimento e o conhecimento do outro são componentes essenciais na compreensão de como a pessoa atua no trabalho, dificultando ou facilitando as relações. Dentre as dificuldades mais observadas, destacam-se: falta de objetivos pessoais, dificuldade em priorizar, dificuldade em ouvir. (p.38)

É bom lembrar também que o ser humano é individual, é único e que, portanto também reage de forma única e individual a situações semelhantes.

Como observado por Bom Sucesso (1997)

No cenário idealizado de pleno emprego, mesmo de ótimas condições financeiras, conforto e segurança, alguns trabalhadores ainda estarão tomados pelo sofrimento emocional. Outros, necessitados, cavando o alimento diário com esforço excessivo, ainda assim se declaram felizes, esperançosos.(p.176).

2.5. Responsabilidade Pela Qualidade de Vida no Ambiente de Trabalho

Normalmente procura-se passar a responsabilidade para a outra parte, porém é importante lembrar que somos produto do meio, mas também influímos no meio.

Como diz Bom Sucesso (1997)

Além de constituir responsabilidade da empresa, qualidade de vida é uma conquista pessoal. O auto conhecimento e a descoberta do papel de cada um nas organizações, da postura facilitadora, empreendedora, passiva ou ativa, transformadora ou conformista é responsabilidade de todos.(p.47)


2.6. Arranjo Físico e Ambiente de Trabalho

O objetivo de um arranjo funcional é garantir conforto, bem-estar, satisfação e segurança para os funcionários e garantir aos clientes melhores condições de visualizar os produtos, além de um ambiente saudável e agradável de ser visitado, ao espaço físico oferecer flexibilidade na disposição dos materiais e bom aproveitamento do espaço, à empresa propiciar aumento dos níveis de qualidade, produtividade e eliminação dos desperdícios.

Muito bem, isto é sabido e faz parte de muitas correntes de pensamentos da administração, porém com diz Moreira (2000)

Esses fatores em si não promovem a satisfação, mas a sua ausência a inibe. Por outro lado, fatores como oportunidade de auto-realização, reconhecimento pela qualidade e dedicação no trabalho, a atratividade do próprio trabalho em si e a possibilidade de desenvolvimento pessoal e profissional do trabalhador são motivadores em essência. Recebem o nome de fatores de motivação. (p.287).

2.7. Princípios dos 5S

Como se sabe, os 5S são sinônimos de qualidade para o ambiente de trabalho e cabem aqui algumas observações como: a realidade e percepção do ambiente, que é observada de maneiras distintas por cada pessoa.

Segundo Silva (1995)

Os nossos sentidos e os nossos valores podem nos confundir. Quando isso ocorre deixamos de ver a bagunça, o desperdício, e todo tipo de comportamento que gera má qualidade de vida. É preciso prestar mais atenção para perceber a realidade. (p.2)

Os 5 sensos ou bom senso, que é mais adequado assim colocar, procura mostrar que com uma boa utilização dos materiais, uma boa ordenação, com uma limpeza constante, com saúde e higiene e acima de tudo com autodisciplina se alcança maior conforto e um melhor relacionamento no trabalho e conseqüentemente melhores resultados para a empresa.

Como observado por Silva (1995)

Pode-se criar um ambiente de qualidade em torno de si, usando as mãos para agir, a cabeça para pensar e o coração para sentir, por meio do sistema ou programa 5S. É só colocar em ação cinco sensos que estão dentro de cada um (p.4).

Os passos que se deve seguir são faxina geral, limpar o ambiente e os objetos, separar tudo o que se precisa com freqüência daquilo que se usa esporadicamente, fazer uma arrumação de forma a se facilitar a vida no trabalho, guardar cada coisa em seu lugar, manter os equipamentos em ordem e bom funcionamento, combater o desperdício, ordenar as informações, estar atento as condições de saúde e higiene e por fim uma auto disciplina e aperfeiçoamento constante do local de trabalho.

Como conclui Silva (1995)

Podemos iniciar a longa caminhada da melhoria continua praticando os cinco (bons) sensos que cada um tem dento de si: utilização, ordenação, limpeza, saúde e autodisciplina. A mudança deverá ocorrer dentro de cada um. Se não tomarmos a decisão pessoal de viver com dignidade, ninguém poderá nos ajudar. (p.18)

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Links Relacionados:

Ambiente de Trabalho nas pequenas empresas e o Marketing Interno (Endomarketing)


Referências Bibliográficas

BOM SUCESSO, Edina de Paula. Trabalho e qualidade de vida. 1.ed. Rio de Janeiro: Dunya, 1997.

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 6.ed. São Paulo: Campus, 2000.

MAGALHÃES, Celso. Técnica da chefia e do comando. 9.ed. Rio de Janeiro: IBGE, 1990.

MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da produção e operações. 5.ed. São Paulo: Pioneira, 2000.

SILVA, João Martins da. 5S para praticantes. 1.ed. Belo Horizonte: Fundação Christiano Ottoni, 1995.

VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2000.


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Ambiente de trabalho e as relações interpessoais



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Esta é uma adaptação de um trabalho que fiz na minha pós-graduação em Administração. Aqui o apresento de forma reduzida. Você poderá ver este trabalho de forma mais completa através do texto:
Ambiente de Trabalho nas pequenas empresas e o Marketing Interno (Endomarketing)

1.1. Introdução

O ambiente reflete no ser humano?

Bem, podemos, por exemplo, observar um shopping center e a maneira como as pessoas normalmente se comportam quando estão lá dentro. A limpeza, o clima, a decoração, as pessoas bem vestidas ou não, fazem com que ajamos de certa maneira. Podemos também ir à praia e veremos como as pessoas estão se comportando, ou em uma igreja, um clube, uma noitada ou em um casamento formal. Poderíamos dar tantos outros exemplos. Mas é claro que não seria só o tipo do ambiente que poderia influir em nosso comportamento; também deve influenciar a forma em que o ambiente é moldado, decorado, o tipo de roupa permitido, a climatização, o visual, as cores das paredes, flores no ambiente, obras de arte, quadros, conforto em geral, entre tantos outros fatores.

Portanto podemos supor que o ambiente de trabalho também deve influir no comportamento das pessoas e, por conseguinte influenciar nas relações interpessoais e supostamente nos resultados das empresas em todos os sentidos.

Pode-se observar historicamente uma grande evolução no ambiente de trabalho desde a revolução industrial até o final do século XX. E quais serão as perspectivas para o século XXI?

Temos que relembrar que já estamos no século XXI, assim sendo, já não seria hora de questionar alguns paradigmas quanto aos ambientes de trabalho? Muito bem! Sabe-se que muitos já pensaram nisso, porém não há trabalhos significativos neste campo. Ao se pensar nisso decidiu-se elaborar um projeto de pesquisa onde se buscará demonstrar que muitos aspectos e formas no ambiente de trabalho já podem e devem ir modificando-se. O ideal poderia ser o nosso ambiente de trabalho tornar-se a extensão de nossa casa e muitas vezes será a nossa própria casa ou como se assim fosse.

Como que o ambiente de trabalho pode influir ou não nos relacionamentos interpessoais?


2.1. Motivação ou Não, Causada pelo Ambiente de Trabalho

É sabido que o ser humano é fruto do meio em que vive e que é gerido por necessidades básicas que os podem motivar ou não, são elas: necessidades fisiológicas como: alimentação, sono, atividades física, satisfação sexual etc; necessidades psicológicas como: segurança íntima, participação, autoconfiança e afeição; necessidades de auto-realização como: impulso para realizar o próprio potencial, e estar em contínuo autodesenvolvimento. Estas necessidades não satisfeitas também são motivadoras de comportamento, podendo levar a: desorganização de comportamento; agressividade; reações emocionais; alienação e apatia.

Segundo Chiavenato (2000)

A motivação se refere ao comportamento que é causado por necessidades dentro do indivíduo e que é dirigido em direção aos objetivos que possam satisfazer essas necessidades. (p.161)

Também segundo Chiavenato (2000)

O homem é considerado um animal dotado de necessidades que se alternam ou se sucedem conjunta ou isoladamente. Satisfeita uma necessidade surge outra em seu lugar e, assim por diante, contínua e infinitamente. As necessidades motivam o comportamento humano dando-lhe direção e conteúdo.(p.128).

Como se pode verificar supõe-se que os relacionamentos interpessoais dependerão das realizações e satisfações das necessidades individuais, mas também se pode verificar que muitas vezes os homens se comportam de forma dualista.

Segundo Chiavenato (2000)

O homem se caracteriza por um padrão dual de comportamento: tanto pode cooperar como pode competir com os outros. Coopera quando os seus objetivos individuais somente podem ser alcançados através do esforço comum coletivo. Compete quando seus objetivos são disputados e pretendidos por outros.(p.128)


2.2. Influência do Ambiente

Não se pode exigir resultados de uma equipe se esta não tiver um mínimo de comodidade e de condições para realizar suas necessidades básicas. Mas se acredita que quanto melhor e mais bem atendidas estas necessidades tanto melhor será o desempenho de uma equipe.O ambiente de trabalho é constituído de duas partes distintas: a física (instalações, móveis, decoração etc) e a social (as pessoas que o habitam).

Segundo Magalhães (1990)

...influem no conforto social. Evidentemente, se tais elementos forem precários, ninguém trabalhará com moral elevado. Conforme a natureza do trabalho, exigir-se-á uma luminosidade, uma temperatura, um grau de umidade diferente, o que também deverá estar de acordo com a região onde se trabalha e a época do ano. (p. 51)


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No próximo tópico: Relações Interpessoais e Qualidade de Vida no Trabalho e as Referências Bibliográficas e Bibliografia.



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Algumas das “obras” de Aristóteles: a questão da Lógica e da Causalidade


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Aristóteles pode ser considerado o pai da Lógica no mundo ocidental. Nos primeiros séculos da era cristã, os escritos lógicos de Aristóteles foram reunidos sob a denominação de Órganon (já que se considerava a lógica apenas um instrumento da ciência, um órganon). Conforme menciona Chaui:

(...) a lógica é um instrumento do pensamento para pensarmos corretamente. Não se referindo a nenhum ser, a nenhuma coisa, a nenhum objeto, a lógica não se refere a nenhum conteúdo, mas à forma ou às formas do pensamento ou às estruturas do raciocínio em vista de uma prova ou de uma demonstração. (...) A lógica é o que devemos estudar e aprender antes de iniciar uma investigação filosófica ou científica, pois somente ela pode indicar qual é o tipo de proposição, de raciocínio, de demonstração, de prova e de definição que uma determinada ciência deve usar. (2002, p.357)

A Primeira das obras integrantes do Órganon, foi os Tópicos que classificam os diferentes modos de atribuição de um predicado a um sujeito. Cabe destacar ainda nos Tópicos o esboço da teoria do silogismo, que, no entanto, só foi consolidada nos Primeiros analíticos.

“O silogismo é um argumento no qual, certas premissas estando postas delas resulta necessariamente uma conclusão”. Como nos lembra Zingano (2005, p.88).

Essa teoria se caracteriza pelo propósito de demonstrar a correção formal do raciocínio, independentemente de sua verdade objetiva. Assim, se todo B é A e se todo C é B, todo C é A. A primeira proposição é a maior; a segunda, a menor; e a última, a conclusão.

Entretanto é nos segundos analíticos que Aristóteles vai estudar um determinado tipo de silogismo: o silogismo científico, ou seja aquele que tem preocupação com a verdade.

Conforme transcreve Chaui:

“Só há ciência quando conhecemos pelas causas” e acrescenta que este é o lema fundamental de Aristóteles (e de todo o pensamento ocidental), Chaui lembra que no livro I dos segundos analíticos, Aristóteles diz que:

Consideramos que possuímos uma ciência de modo absoluto, e não de modo acidental como nos sofistas, quando julgamos conhecer a causa pela qual a coisa é, sabendo que ela é a causa disso e que é impossível que o efeito seja diferente do que é. (2002, p.346)

Dessa maneira temos que um argumento válido difere-se de um argumento cientificamente válido, ou sólido. Através de sua causalidade e coerência lógica.

Aristóteles distingue quatro sentidos ou dimensões da causalidade:

1. Causa Formal – Trata-se da forma ou modelo, que faz com que a coisa seja o que ela é. Assim responde-se à pergunta: o que é “x”?

2. Causa Material – É o elemento constituinte da coisa, a matéria de que é feita essa “coisa”. Responde à pergunta: de que é feito isso?

3. Causa Eficiente – Consiste na fonte primaria da mudança, o agente da transformação da “coisa”. Responde à pergunta: por que “x” é “x”? O que fez com que “x” viesse a ser “x”?

4. Causa Final – Trata-se do objetivo, do propósito, da finalidade da coisa. Responde a pergunta: para que “isso”?

Vamos dar um exemplo para essas causas usando o próprio exemplo que Aristóteles menciona. Para se fazer uma estátua de uma deusa grega precisamos do mármore, do bronze ou outro material seja argila etc. Esses materiais são como o próprio nome diz as causas materiais, ou seja a matéria que é usada na elaboração da estátua; essa estátua terá uma forma, um desenho, que é a deusa grega, esta é causa formal, a forma da estátua; para se elaborar essa estátua precisamos de um profissional, artesão ou escultor, este é o que dá a forma à Estatua, e esta é a causa eficiente para ela existir; por fim temos o objetivo final porque ou para que ela foi feita e esta é a causa final, que pode ser para se colocar no templo com o propósito do culto, para uma decoração, uma homenagem ou seja lá para qual fim tenha sido elaborada.

A aplicação desta lógica e desta causalidade se refere mais facilmente às coisas do mundo do devir, mas para Aristóteles há uma causa primeira e esta é buscada através da metafísica, que é sumamente a teologia. Segundo Aristóteles, como nos lembra Reale, a metafísica:

a) “indaga as causas e os princípios primeiros ou supremos”;
b) “indaga o ser enquanto ser”;
c) “indaga a substancia”;
d) “indaga Deus e a substancia supra sensível”. (2004, p.195)

Quanto à metafísica falaremos mais em outro tópico.

Abraços do Benito Pepe


Referências bibliográficas deste tópico:

CHAUI, Marilena. Introdução à história da filosofia: dos pré-socráticos a Aristóteles, volume 1. 2.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia, v.1.; tradução de Ivo Storniolo; 2.ed. São Paulo: Paulus, 2004.

ZINGANO, Marco. Platão & Aristóteles: o fascínio da filosofia. 2. ed. São Paulo: Odysseus editora, 2005.


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Obras e "doutrina" de Aristóteles – uma introdução




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Antes de citarmos algumas das obras de Aristóteles precisamos lembrar que havia dois tipos básicos de textos: os escritos para o público em geral, ou seja as obras com o intuito de publicação para “fora da escola”, os escritos “exotéricos”, que eram normalmente em forma de diálogos; e os textos para os alunos do Liceu, ou seja “material de aula”, os “esotéricos”, esses portanto seriam escritos didáticos destinados aos seus discípulos.

Perderam-se quase todas as obras publicadas por Aristóteles, com exceção da Constituição de Atenas, descoberta em 1890. As obras conhecidas resultaram de notas para cursos e conferências do filósofo, ordenadas de início por alguns discípulos e depois, de forma mais sistemática, por Andronico de Rodes (c. 50 a.C.).

Sendo os escritos exotéricos perdidos em grande parte, foram os escritos esotéricos, os que em sua maioria, permaneceram até os dias de hoje. Estes tratam da problemática filosófica e de alguns ramos das ciências naturais.

Quanto às “ciências” ou o “conhecimento”, Aristóteles os divide da seguinte maneira, como está contido no livro, Metafísica, 1025b25:

Os conhecimentos Práticos (práxis); os Produtivos (poiesis) e os Teóricos.

Quanto ao conhecimento Teórico, se divide por um lado em: Física que está no campo das “Ciências Naturais”, e por outro lado em Matemática (quantidade, número) e Filosofia Primeira (teologia) estas duas ultimas estão no campo das “ciências gerais”.

Portanto a filosofia primeira, posteriormente chamada de metafísica, ou ontologia (termo que vem depois, para tratar do ser enquanto ser), inclui a teologia o ser imóvel, a causa primeira, o “primeiro motor”.

Dessa maneira podemos perceber que apesar de sua aptidão à cientificidade, Aristóteles colocava a Física em “segundo lugar”, chamando de filosofia primeira justamente a teologia e a ontologia. Mas quanto a ontologia (= discurso do ser; onto - ser, logia - discurso), para Aristóteles não haveria um discurso único. “O ser se diz em múltiplos sentidos”.

Como nenhum filósofo antes dele, Aristóteles compreendeu a necessidade de integrar o pensamento anterior a sua própria pesquisa. Por isso começa procurando resolver o problema do conhecimento do ser a partir das antinomias acumuladas por seus predecessores: unidade e multiplicidade, percepção intelectual e percepção sensível, identidade e mudança. Problemas fundamentais, ao mesmo tempo, do ser e do conhecimento.

De qualquer maneira para Aristóteles existe um Ser separado da matéria e imóvel, é ele o primeiro motor, o Deus de Aristóteles.


"Diferenças" entre Platão e Aristóteles

Para entendermos Aristóteles é importante fazermos algumas distinções entre ele e seu mestre Platão. Uma das principais críticas de Aristóteles quanto a Platão, consiste na rejeição do dualismo representado pela teoria das ideas, como se vê na Metafísica 1, caps. 6 e 9; XII e XIV.

Uma das questões que Aristóteles levanta é a problemática de se relacionar o mundo material (ou sensível) com o mundo das ideas (o mundo inteligível).

Diferentemente do dualismo platônico, em que o mundo da inteligência era separado do das coisas sensíveis, mas que visava antes de tudo a “salvar a ciência”, estabelecendo a coerência necessária entre o conceito e seu objeto. O realismo de Aristóteles procura restabelecer essa coerência sem abandonar o mundo sensível: explora a experiência, e nela mesma insere o dualismo entre o inteligível e o sensível.

O projeto de Aristóteles visa em última análise restabelecer a unidade do homem consigo mesmo e com o mundo, tanto quanto o projeto de Platão, baseado numa visão do cosmos. Entretanto, Aristóteles censura a Platão por ter seguido um caminho ilusório, que retira a natureza do alcance da ciência. Aristóteles procura apoio na psicologia. O ser existe diferentemente na inteligência e nas coisas, mas o intelecto ativo, que é atributo da primeira (a inteligência), capta nas últimas (as coisas) o que elas têm de inteligível, estabelecendo-se dessa forma um plano de homogeneidade.

Das “diferenças” entre Platão e Aristóteles, Reale nos lembra que:

Nas obras ‘esotéricas”, Aristóteles deixou de lado o componente místico-religioso-escatológico que era tão forte nos escritos do mestre (...) E que (...) Platão tinha interesse pelas ciências matemáticas, mas não pelas ciências empíricas (com exceção da medicina). (2004, p.191-2).

Podemos mencionar também o que lembra Zingano: “Platão, filósofo literário; Aristóteles, argumentador de rara precisão. Platão idealista; Aristóteles, investigador da natureza”. (2005, p.62).

Não obstante ao que foi narrado acima, é bom lembra que, conforme lembra Blackburn:

(...) os acadêmicos, de forma geral, rejeitam que a obra de Aristóteles tenha se afastado de um platonismo originalmente aceito, chegando mesmo a ver em sua metafísica tardia um retorno a Platão. (1997, p.25)

Visto isso podemos agora citar e posteriormente comentar sucintamente algumas das “matérias” do grande filósofo Aristóteles.

As principais obras de Aristóteles, agrupadas por matérias, são:
(1) Lógica (que constituem o Órganon): Categorias (propõe uma classificação geral em dez classes de tudo o que existe), Da interpretação, Primeiros Analíticos (contém a doutrina das inferências silogísticas e representam a parte teórica mais madura da doutrina lógica aristotélica) e segundos analíticos (dizem respeito sobretudo a problemas de filosofia da lógica e de metodologia), Tópicos, Refutações dos sofistas;
(2) Filosofia da natureza: Física, Do Céu, Da geração e da corrupção;
(3) Psicologia e antropologia: Sobre a alma, além de um conjunto de pequenos tratados físicos;
(4) Zoologia: Sobre a história dos animais;
(5) Metafísica: Metafísica (obra mais famosa, contém 14 livros);
(6) Ética: Ética a Nicômaco, Grande ética, Ética a Eudêmia;
(7) Política: Política, Econômica;
(8) Retórica e poética: Retórica, Poética.


Referências bibliográficas deste tópico. A Bibliografia completa será apresentada no final deste texto.


BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de Filosofia. 1. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1997.

REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da filosofia, v.1.; tradução de Ivo Storniolo; 2.ed. São Paulo: Paulus, 2004.

ZINGANO, Marco. Platão & Aristóteles: o fascínio da filosofia. 2. ed. São Paulo: Odysseus editora, 2005.


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Aristóteles, uma Visão Geral de sua obra e "doutrina"



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Este texto é dividido em partes, esta é a primeira postagem, no final de cada postagem você encontrará um link para a seqüência do texto. Os assuntos apresentados são os seguintes: Comentários Iniciais; Obras e Doutrina de Aristóteles – uma introdução; A questão da Lógica e da Causalidade; Ética, Política e Poética; Física e Ciências Naturais; a Astronomia de Aristóteles; Metafísica; e o Cristianismo (o tomismo).


1.1 Comentários Iniciais

Pelo rigor de sua metodologia, pela amplitude dos campos em que atuou e por seu empenho em considerar todas as manifestações do conhecimento humano como ramos de um mesmo tronco, Aristóteles foi o primeiro pesquisador científico no sentido atual do termo.

Mais do que qualquer outro pensador, Aristóteles determinou a orientação e o conteúdo da história intelectual do Ocidente. Durante séculos seu sistema filosófico e científico mediou o pensamento Cristão e Islâmico, e até o fim do século XVII o mundo ocidental foi aristotélico, como veremos neste texto e especialmente no tópico “A Astronomia..”, através do sistema Geocêntrico, defendido por Aristóteles.

Aristóteles criou uma vastíssima ontologia, ou teoria da natureza e relações do ser, na qual as substâncias interagem de várias maneiras para produzir objetos que diferem em propriedades como quantidade, qualidade, tempo, posição e condição de ação. A partir dessa ontologia, Aristóteles desenvolveu uma “filosofia da natureza” em que a matéria sofre processos de mudança dinâmica e espontânea que são, por sua vez, mediados por princípios preexistentes de forma e estrutura.
Elaborou então uma hierarquia de existências que começam com os quatro corpos primários (terra, água, fogo, ar), os quais formam substâncias inorgânicas e, depois, os seres vivos: as plantas apresentam as funções de crescimento, nutrição e reprodução; os animais possuem, além dessas, as de sensação, desejo e locomoção; e os seres humanos, a faculdade da razão. Com sua “alma racional”, o homem pode exercer a suprema atividade, a obtenção do conhecimento.

Aristóteles nasceu em Estagira (donde ser dito "o Estagirita"), Macedônia, em 384 a.C. Isso pode parecer insignificante mas tem importância pelo fato de ele ser um “caipira”. Ele era de uma região agrícola, e não uma área portuária como Atenas. Aristóteles era de família de médicos, provavelmente por esse motivo grande parte de sua obra, sejam tratados de biologia.

Desde de jovem com 17 anos ingressa na Academia de Platão, e lá permanece por 20 anos, enquanto Platão viveu. Na Academia Aristóteles conheceu famosos cientistas entre eles o célebre Eudóxio.

Depois da Morte de Platão (seu grande mestre) sai de Atenas para onde regressa em 335. Quando volta a Atenas, funda o Liceu, “sua escola”, já com 50 anos de idade e tornado um pesquisador e filósofo maduro. Durante 13 anos dedicou-se ao ensino e à elaboração da maior parte de suas obras.

Aristóteles foi preceptor de Alexandre o Grande, o que lhe acarretou um certo problema com Atenas. Houve uma revolta contra os macedônios. Com a morte de Alexandre (323), Aristóteles teve de fugir à perseguição dos democratas atenienses, refugiando-se em Cálcide, na Eubéia, onde morreu em 322 a.C. no exílio.

Após a morte de Aristóteles, a escola peripatética (do grego peripatós = “passeio”, como também era chamado o Liceu pelo fato de Aristóteles ministrar seus ensinamentos passeando pelos jardins), dedicou-se a investigações científicas. A filosofia do Liceu foi retomada por discípulos como Teofrasto de Eresso e Eudemo de Rodes, que editou os escritos éticos do Corpus aristotelicum.

Depois da redescoberta e exegese das obras de Aristóteles por Andronico de Rodes, por volta do ano 50 a.C., o pensamento aristotélico foi objeto de muitas exposições e comentários no mundo greco-romano. Com a queda do Império Romano, as obras de Aristóteles se perderam no Ocidente, mas foram preservadas por sábios e exegetas árabes, siríacos e judeus, entre os quais há que destacar Avicena e Averroés.
Com efeito, entre os séculos IX e XIII, a filosofia islâmica fundou-se em várias interpretações do pensamento aristotélico. Os muçulmanos mantiveram vivo o legado de Aristóteles e o devolveram à Europa nos séculos XII e XIII, quando Tomás de Aquino faria do aristotelismo o alicerce filosófico da teologia cristã.

A força do aristotelismo declinou com a afirmação da ciência moderna, mas ainda afeta de modo sutil a orientação do pensamento ocidental. Na contemporaneidade, por exemplo, serviu de ponto de partida para a "psicologia descritiva" de Franz Brentano e contribuiu para a fenomenologia de Edmund Husserl. Reponta ainda no neotomismo.

Dá-se o nome de aristotelismo à atividade e ao pensamento das escolas filosóficas que se inspiraram na obra de Aristóteles. O Estagirita desenvolveu uma forma de raciocinar baseada no silogismo, pelo qual duas premissas básicas (a maior e a menor) levam a uma conclusão. Para definir essas premissas básicas, usou o raciocínio indutivo. Dominou um enorme volume de dados empíricos nas ciências naturais, e grande parte de seus textos são descritivos.

Nos próximos tópicos veremos: um pouco de sua Obra e Doutrina; Lógica; Metafísica; Ética e Política; Poética; Física e Ciências Naturais; a Astronomia de Aristóteles; e, o Cristianismo (o tomismo).

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Próximo tópico: Obras e "doutrina" de Aristóteles – uma introdução



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O mundo vai acabar? O homem pode ser eterno no Planeta?


Este texto terá mais perguntas do que respostas, desde já agradeço ao leitor que queira contribuir com um comentário ou venha a ajudar com alguma eventual resposta ou mesmos com novas perguntas.

Começamos então com alguns questionamentos:

Se o Mundo nunca acabasse e se o homem conseguisse ser eterno no Planeta o que isso acarretaria?

A possibilidade da eternidade no Planeta seria uma dádiva ou maldição?

Bem, se pensarmos seja no magistério da Fé, ou ainda no da Ciência, são poucas as pessoas que não ambicionariam a eternidade. Certamente as pessoas religiosas pleiteiam a eternidade no pós-vida material; as pessoas não religiosas ou que não creiam em uma vida espiritual também desejariam uma eternidade aqui mesmo neste Planeta ou em outro planeta para o qual possamos viajar no futuro.

Notamos facilmente que até mesmo pessoas religiosas, ainda que não questionem ou reflitam os seus dogmas religiosos relativos ao pós-vida, querem prolongar a vida aqui na terra ao máximo possível. Dificilmente encontramos pessoas relativamente jovens que digam de coração sincero: - “viver é bom mas eu preferiria já estar na outra vida...”

Bem amigo leitor, independentemente da religião de cada um, na maioria das vezes queremos prolongar nossa vida aqui na Terra o quanto seja possível, aliás não é por isso e para isso que buscamos nos alimentar bem, fazer exercícios, lazer e até mesmo cuidar da vida espiritual? Alguns vão dizer: - “eu faço isso para viver melhor, não para aumentar o meu tempo de vida neste planeta”. Bem, isso é verdade sei que há pessoas que pensam assim, mas esses são poucos.

Fizemos com que a Vida Humana fosse prolongada, e isso está ocorrendo aos poucos no Planeta. A vida humana de fato está se prolongando na Terra. Hoje temos, ainda que para poucos, poucos mesmo! Uma condição de habitação, alimentação, saúde, condições hospitalares, operações cirúrgicas, transplantes, medicamentos, vitaminas, academias, diversos locais para o lazer, e possibilidade de viagem do hemisfério que esteja frio para o quente ou vice-versa em poucas horas. E tantas outras condições materiais que de fato fazem com que algumas pessoas possam viver melhor e durante mais tempo.

A prova disso é o problema com a previdência que já está ocorrendo em vários países no mundo. A média de estimativa de vida está subindo verdadeiramente e progressivamente a cada década, a cada ano que passa.

Há paises desenvolvidos que a idade média é muito alta, muito alta mesmo e são tantos aposentados que o risco de “quebra” da previdência já é eminente .

Como seriam as condições quanto à previdência (aposentadoria) para um homem eterno?

Já temos hoje esse problema com a Previdência. E isso só pelo fato da vida humana está durando mais, imagine se a vida fosse eterna aqui no planeta, como seria? Ou não haveria condições de aposentadoria e você teria que trabalhar eternamente, ou você morreria por não ter condições de se alimentar e subsistir (lembremos que mesmo máquinas precisam de energia e manutenção) e assim de qualquer maneira acabaria com a possibilidade de sua eternidade.

Aí está um bom motivo para procurar trabalhar em algo que você ame mesmo fazer, imagine ter que trabalhar toda a eternidade em algo que não lhe dê prazer? Então independentemente de sua eternidade procure fazer isso desde já, que tal?

Outra questão que devemos lembrar que provavelmente ocorreria em algum momento, se é que já não esteja ocorrendo, ainda que por outros motivos, é a questão da natalidade controlada rigorosamente devido ao excesso de humanos que passariam a existir neste nosso planetinha azul, aliás será que ele continuará azul? O mundo era imenso, mas está “cada dia menor”. Se não passássemos a um controle rigoroso, viveríamos como ratos uns sobre os outros...

No início do século XIX, aproximadamente em 1802, éramos “apenas” 1 bilhão de habitantes. Hoje somos em 6,6 bilhões (6.600.000.000) de habitantes, nossa população está em explosão demográfica desde a Revolução Industrial que começou na Inglaterra em meados do século XVIII. Há uma estimativa que no final deste século XXI a população mundial atinja a extraordinária quantidade de 11 bilhões (11.000.000.000) de pessoas vivas no Planeta Terra.

Qual seria a quantidade de humanos que estariam aqui no Planeta, quando e se alcançássemos a possibilidade da eternidade? Como seria o planeta com a eternidade, um mundo de idosos? Ou, eternos jovens? Em que momento pararíamos o nosso envelhecimento? Com que idade conservar-nos-íamos. E as crianças e os velhinhos como iriam ser tratadas? Quantos seriam?

Outra questão para considerarmos é a questão econômica, qual seria o limite de crescimento imposto e quem controlaria esse crescimento? A possibilidade de prosperidade se daria para um percentual menor ainda do que se dá hoje? E o pior: nem todos poderiam ser eternos?

Sabe-se hoje que muitos morrem sedo, por não terem condições mínimas de saneamento básico, alimentação, moradia etc, isso é um fato para a maioria da população mundial, de qualquer maneira morrem mas sabem que os outros (“ricos”) morrerão também, mas saber que outros serão eternos enquanto você vai morrer é outra coisa.

Como ficariam as questões dogmáticas religiosas?

Como seria para as pessoas que tem fé na vida após a vida saber que poderiam optar em se manter aqui eternamente ou morrer para nascer na vida espiritual? É provável que, como vimos, essa vida eterna na Terra não seria para todo mundo, só para um grupo privilegiado que conseguisse alcançar as condições financeiras necessárias para a eternidade terrena e esses teriam que decidir seus destinos... Ficar aqui ou ir para o “milagre-surpresa” do pós-vida? Esses “privilegiados”, teriam que escolher o seu destino: A Vida Eterna na Terra, ou A Vida Eterna na Espiritualidade (e sem saber que vida teriam lá...)

Estou começando a achar que o paraíso é mesmo para os “pobres” e que é mais fácil um Rico passar pelo buraco de uma agulha do que entrar no Céu.

Em fim, será que a Natureza ou Deus não sabe o que faz? Creio que seja melhor, nascer, crescer, viver, aprender e depois morrer. Assim se dá chance a novos seres humanos nascerem, viverem e morrerem. Esse é um processo natural da Vida e é um aprendizado dos mais profundos que se possa imaginar. Desse Jeito nós refletimos, e pensamos de maneira não egoísta, tive a minha chance, agora é a vez das novas gerações...

Você ainda quer ser eterno? Bem, procure fazer algo para a humanidade, algo que faça as pessoas lembrarem de você, os seus filhos, os seus netos e outras gerações, assim você será eterno. Plante uma árvore, escreva um livro, tenha um filho, ou pelo menos poste um comentário neste artigo...


Abraços do
Benito Pepe

P.S. Dedico este texto ao amigo Vicemar Barbosa


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Texto Completo da “Alegoria da Caverna” contido no Livro “A República” de Platão



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Apresento aqui o texto completo referente à Alegoria da Caverna de Platão, esta é uma tradução de Enrico Corvisieri publicada na coleção “Os Pensadores”.

O diálogo é entre Sócrates e Glauco, escrito por Platão...


Sócrates - Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.

Glauco - Estou vendo.

Sócrates - Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que o transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.

Glauco - Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.

Sócrates - Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e dos seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica de fronte?

Glauco - Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?

Sócrates - E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?

Glauco - Sem dúvida.

Sócrates - Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?

Glauco - É bem possível.

Sócrates - E se a parede do fundo da prisão provocasse eco, sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?

Glauco - Sim, por Zeus!

Sócrates - Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados.

Glauco - Assim terá de ser.

Sócrates - Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?

Glauco - Muito mais verdadeiras.

Sócrates - E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?

Glauco - Com toda a certeza.

Sócrates - E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?

Glauco - Não o conseguirá, pelo menos de início.

Sócrates - Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e a sua luz.

Glauco - Sem dúvida.

Sócrates - Por fim, suponho eu, será o Sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal como é.

Glauco - Necessariamente.

Sócrates - Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.

Glauco - É evidente que chegará a essa conclusão.

Sócrates - Ora, lembrando-se da sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que aí foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?

Glauco - Sim, com certeza, Sócrates.

Sócrates - E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples criado de charrua, a serviço de um pobre lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia?

Glauco - Sou da tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.

Sócrates - Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?

Glauco - Por certo que sim.

Sócrates - E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que os seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? E se a alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?

Glauco - Sem nenhuma dúvida.

Abraços do Benito Pepe


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A Alegoria da Caverna...


Bibliografia

PLATÃO. A República. (trad. Enrico Corvisieri) São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Col. Os Pensadores).

Recomendo também para quem quiser ter este livro “A Republica de Platão”, e que pode ser adquirido facilmente e com um bom preço, o texto integral da Martin Claret, é o número 36 da Coleção “A Obra Prima de Cada Autor”.


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